Domínio de Manoa e das Amazonas


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 O Brasil dos outros 500


 

Bandeira de Manoa dos Guacaris

Bandeira de Caranai das Amazonas

Capital dos homens: Manoa (121.588 h); Capital das mulheres: Caranai (140.886 h); População: 1.999.895 habitantes (censo de 1780); Maiores cidades: Oriximiná (52.324 h), Paraupava (51.221 h), Vupabuçu (43.209 h); Área: 151.204 km²; Produto Interno Bruto: 80.000 contos; Renda per capita: 40$000. Moeda: cruzeiro (1$000), dividido em mil réis; Línguas: guacari (36%), icamiaba (42%), português (2%) e tupi (5%) são as línguas oficiais; 15% falam outras línguas nativas. Grupos Étnicos: indígenas 97%; portugueses e mestiços 3%. Religiões: culto de Aram (33%), culto de Jacy (30%), ecumenismo (25%), xamanismo (12%). Pesos e medidas: Sistema métrico decimal. Chefe de Estado: dos homens: Nyiatybara (o senhor dourado) Macunaíma III; das mulheres: Coniupuiara (a grande senhora, ou a grã-mestra) Torybacy VI. Ambos estão sob a suserania de Sua Majestade Imperial, D. Pedro II de Avis. Chefe de Governo: Comissário-geral do Império, Marcelo Nhamandu Jekupé.

Economia e infra-estrutura: o Domínio vassalo de Manoa e das Amazonas ocupa as ilhas, as margens e as vizinhanças do grande lago chamado Parima pelos guacaris e Jacyguaruá pelas icamiabas. Com 81.043 km², é o segundo maior lago de água doce do mundo (depois do Lago Superior, na Colômbia do Norte) e o maior da América do Sul. Suas águas, ricas em peixes amazônicos, possibilitam a existência de uma próspera indústria pesqueira. O lago é navegável, mas situa-se numa depressão rodeada de serras e chapadas e não tem conexão hidroviária com o Orenoco, nem com a bacia amazônica.

As ilhas de Manoa e Caranai, com cerca de 50 km² e 40 km², respectivamente estão separadas por um canal de 4 km de largura e abrigam as duas maiores cidades, as quais pertencem, respectivamente, aos homens (guacaris) e às mulheres (icamiabas). A cidade dos homens é dedicada ao culto do deus Aram, o Sol, e seus famosos templos e palácios são cobertos de ouro. A cidade das mulheres é dedicada ao culto da deusa Jacy, a Lua, e seus templos e palácios são revestidos de prata. A economia de ambas as ilhas se baseia na pesca, na administração e no cultivo intensivo de chinampas (jardins flutuantes), em pontos rasos do lago. São jangadas feitas com estacas e juncos, cobertas com lodo extraído do fundo do lago e misturado com vegetação aquática flutuante, que proporcionam uma altíssima produtividade agrícola.

Nas terras baixas em volta do lago, a vegetação é constituída principalmente de cerrados, intercalados por matas de galerias nas margens dos rios, onde há criação de gado bovino e cavalos. Há trechos de selva e áreas pantanosas nas margens do lago, onde foi introduzida a criação de búfalos.

Ouro, prata, platina e esmeraldas são abundantes nas serras e chapadas que rodeiam essas planícies, na maior parte cobertas de selva. São habitadas por aldeias de indígenas de diversas línguas e origens, que vivem da caça, pesca e coleta e não pertencem à cultura de Manoa e Caranai, mas reconhecem a sua suserania.

O comércio com o mundo exterior se dá principalmente através da ferrovia que liga Paraupava, na margem sul do lago, a Manaus, porto no Rio Negro. Há rotas terrestres que ligam Vupabuçu, na margem norte, ao Orenoco e Oriximiná, no extremo leste do Domínio, ao baixo Amazonas. As exportações se constituem principalmente de metais preciosos, esmeraldas, couro, carne seca e peixe seco.

O povo: Os indígenas que governam este domínio observam um costume sem paralelo no mundo moderno: os homens (guacaris) e mulheres (icamiabas) vivem separadamente, falam línguas distintas (embora ambas pertençam à família tupi) e praticam religiões diferentes. Para os guacaris, Aram, o Sol, é o deus mais importante e Iaê, a Lua, é seu irmão menor. Para as icamiabas, Jacy (mãe dos frutos), a Lua, é a deusa mais importante e Kwaracy (mãe do dia), o sol, sua irmã menor.

Caixa de texto:  
vista de Manoa dos Guacaris
 
vista de Caranai das Amazonas

O nome de guacari foi dado pelos tupis e refere-se a uma espécie de peixe encouraçado, o que é uma referência às suas tradicionais armaduras. Seu símbolo é a face de Aram, o deus-sol. Icamiabas significa, na sua língua, mulheres famosas; elas são também conhecidas por outros indígenas como aikeambeno (mulheres sós) e cunhãtesecuimas (mulheres sem lei). Os luso-brasileiros costumam chamá-las de amazonas, mas este nome só é realmente apropriado para sua casta guerreira, não para todo o seu povo. Seu símbolo é a mumuru ou estrela-d’água, flor comum no lago onde vivem e que é um dos símbolos de Jacy.

Os homens e mulheres das cidades capitais encontram-se ritualmente nas noites de lua cheia, numa ilhota situada entre Manoa e Caranai – mas na prática também se encontram, com menos formalidades, em outras ocasiões. As mulheres, quando engravidam e dão à luz, presenteiam os pais de suas crianças com um muiraquitã, tradicional amuleto de jade em forma de rã.

Os meninos são entregues aos guacaris, logo depois de desmamados, ao passo que as meninas são iniciadas nos segredos das guerreiras, incluindo sua arte marcial chamada peteketé, bastante semelhante ao ninjutsu, outrora praticado pelos ninjas do Japão. São mestras no uso de bastões, do laço, de pequenas espadas e também do zepguagoscua, um disco de metal lançado à distância, semelhante ao chakra dos indianos.

Os guacaris, têm uma tradição guerreira mais convencional. Usam tradicionalmente espadas e armaduras e praticam uma forma de esgrima. São também famosos pela sua habilidade e resistência em remo e natação. Tanto homens como mulheres praticam também a equitação.

A cultura dos guacaris é conservadora e procura limitar a adoção de novas tecnologias e os contatos com o mundo exterior. Já as icamiabas são mais abertas, aceitam incorporar às suas fileiras mulheres de todas as idades e origens que desejem adotar seu modo de vida e participam muito mais da vida do Império Luso-Brasileiro. Desde 1600, um corpo de icamiabas foi integrado na Guarda Imperial, transformando-se numa força militar de elite e levando ao reconhecimento das icamiabas como uma Ordem de cavalaria semi-soberana.

A maioria das aldeias e cidades menores, em torno do lago, observa os mesmos costumes; em geral, alguma barreira física – um morro, um igarapé, um bosque – separa o bairro das mulheres do bairro dos homens. Existem, porém, dentro dos limites do Domínio, aldeias pertencentes a outras culturas, que aceitam a dupla autoridade de Manoa e Caranai, mas mantêm costumes próprios. Guacaris e icamiabas que decidem viver em casais às vezes se juntam a essas aldeias.

O índice de alfabetização é de 85%.

Governo: O Nyiatybara e a Coniupuiara são eleitos pelos conselhos comunitários de suas respectivas cidades para servirem como supremos chefes políticos e religiosos por toda a vida. Recebem tributo e obediência das demais comunidades de guacaris e icamiabas e exercem uma autoridade conjunta sobre as comunidades de outros povos que vivem dentro do seu território. O Comissário-geral do Império Luso-Brasileiro, que reside em Paraupava, tem poder de veto sobre suas decisões quando conflitem com a Constituição do Império (principalmente no que se refere a violações de direitos constitucionais), supervisiona suas relações com o mundo exterior e responde pelos cerca de 150 mil luso-brasileiros que vivem dentro do domínio.

História: Entre 1000 e 1300, os antilhanos invadiram e dominaram a bacia do Orenoco, colonizando-a, escravizando seus nativos e explorando suas reservas de ouro e ferro. Em 1310, porém, uma rebelião nativa liderada por escravos fugidos refugiados nas ilhas do lago Parima ou Jacyguaruá os expulsou e deu origem a uma nova civilização indígena no Planalto das Guianas, o império Manoa-Caranai.

O surgimento da peculiar separação entre homens e mulheres parece estar relacionado à colonização antilhana e à escravidão, uma vez que os antilhanos tinham por hábito misturar escravos de diversas origens, mas separar drasticamente os homens das mulheres. As línguas faladas por guacaris e icamiabas, que parecem ser o resultado da mistura de várias línguas da bacia amazônica decorrente da convivência forçada de escravos de diferentes culturas, também se originaram nessa época.

No final do século XIV, o império Manoa-Caranai chegou a dominar toda a região entre o Orenoco e o Amazonas. As valorosas icamiabas e os temíveis guacaris fizeram respeitar os nomes da Coniupuiara e do Nyiatybara em toda a bacia amazônica. Ao longo do século XV lutas internas e rebeliões de povos dominados o enfraqueceram, até reduzi-lo às imediações do lago.

Em 1503, uma expedição portuguesa comandada por Aleixo Garcia iniciou a exploração de um imenso rio descoberto por uma das expedições anteriores, mas foi atacado por um grupo de mulheres guerreiras, que identificou com as amazonas da mitologia grega.

Aleixo conseguiu, porém, fazer as pazes com elas e foi convidado a lutar a seu lado na guerra civil entre guacaris e icamiabas: a tentativa dos primeiros de impor sua superioridade sobre as segundas ameaçava destruir o que restava do império de Manoa-Caranai. O navegador português colocou seus homens e canhões a serviço da princesa Kawishuana e conseguiu impor um tratado de paz que restaurou o equilíbrio tradicional. A vitoriosa Kawishuana, depois de eleita Coniupuiara, aceitou pagar um tributo ao rei de Portugal, prestar-lhe vassalagem e abrir-lhe os caminhos da bacia amazônica. O Nyiatybara fez o mesmo, ainda que com menos entusiasmo.

A vinda de D. Sebastião para o Brasil aumentou ainda mais a importância das icamiabas. Em 1600, o Imperador recrutou como parte da guarda pessoal da família imperial um corpo de icamiabas que veio a se mostrar uma tropa extremamente eficiente, principalmente durante na selva e nos pantanais, ambientes em que as tropas de origem portuguesa se viam perdidas. O Batalhão das Amazonas Imperiais tornou-se a grande rival dos Dragões Imperiais de Avis.

A Ordem das Icamiabas se tornou uma ordem de cavalaria semi-independente análoga às Ordens de Cristo, Ordem de Avis e Ordem de Santiago e nos séculos XVII e XVIII alistou em suas fileiras mulheres portuguesas, africanas e de outras partes do Império, incluindo todo um tradicional corpo de guerreiras africanas, nativas do Daomé.

Hoje, a Ordem das Icamiabas tem 125 mil integrantes (das quais, 20 mil são guerreiras amazonas) espalhadas pelo Brasil, Panamá e Guiné, sem contar as 840 mil icamiabas (incluindo 80 mil amazonas) dentro das fronteiras do Domínio de Manoa e das Amazonas.